Costumávamos sereuevocê, sem espaços para limitações. Éramos chama e vela, o escudo e a espada. Lembro de quando ficávamos em uma tarde de chuva enroladinhos de baixo do cobertor, vendo os filmes bobos mas que no fundo, faziam sentido pelo menos para um de nós dois. Uma vez que estávamos andando por aí você me disse que acreditava em destino. Acreditava que quando éramos meninos tinha uma paixão vivendo dentro de nós. E foi essa mesma paixão que acendeu nosso amor. Foi essa paixão que fez o destino nos juntar, da forma inesperada e mais maluca possível. Por que até nas nossas inúteis discussões de individualidade a gente combinava bem, embora elas acabassem em duas semanas sem telefonemas, eu te amos ou carícias. Isso quando você não me calava com beijos na esperança de que isso fizesse cessar a briga. Lembro-me que quando eu dizia “você acha que com um beijo vai resolver isso?” você dava aquele seu sorriso maroto e respondia “se você tiver ideia melhor…” e o engraçado é que com beijos você achava mesmo que conseguiria apagar a discussão. E você conseguia, eu admito. Nunca fui forte para a bebida do amor. Um gole e ficávamos perdidos. Mas da mesma forma que você conseguia me fazer perder os pensamentos, conseguia me despertar de novo daquele modo que…Bom, você sabe. Eu costumava te conhecer, costumava conhecer seus gostos, seus desejos, seus devaneios. Seu capuccino tinha que ter leite, gostava de dormir enroscado. Gostava de beijos na orelha, de provocações. Você me conhecia direitinho, sabia me deixar fora de mim. Sabia me deixar corada, sem reação. Sabia que meu sorvete preferido era de baunilha. Sabia que eu era impaciente e adorava me fazer esperar só para ver minha tentativa dos dois minutos ‘estou brava com você’. Ficamos muito tempo juntos, e parecia que seria eterno, não parecia? Parecia que não tinha imprevistos no caminho, que com o passar dos dias a chama só ia subir. Só ia esquentar mais, que cada dia iriamos descobrir mais coisas. Mas afinal será que tudo o que aquece, esfria? Vai ver a gente não conhecia o amor direito. Vai ver a gente acendeu cedo de mais. Vai ver tinha que ter espaços para limitações. Costumávamos ser felizes, sermoseuevocê. Costumavamos ser para sempre. E hoje em dia somos eu, e você.
Sarah, em espaços.